Fazíamos quase tudo juntos, sorriamos juntos, abraçávamo-nos juntos. Mas agora, quando te abraço, parece que não sinto aquilo que sentia por ti antes. O meu coração não bate da mesma maneira quando te via. É esquisito, eu sei. Mas não sei se consigo manter mais esta farsa. É muito falsa, talvez falsa demais. Sinto-me rejeitada, não por ti, mas por mim. Devíamos ter estado mais presente na minha vida, mas agora é um pouco tarde para isso. E isso assusta-me. Quer dizer, que, talvez, já não podemos fazer as coisas que costumávamos fazer juntos. Acho que o meu coração não é o mesmo. Sinto que perdi a minha confiança em ti. Dei-te o meu coração, mas tu nunca mais mo devolveste. Só sei que tenho medo de te perder. E talvez de nunca mais te ver.
Esta música faz-me lembrar no tempo em que eu era feliz. Feliz de verdade, um feliz verdadeiro, nada daqueles artificiais. Há tempo atrás, eu conseguia sorrir sem problemas, mas agora dói-me a sorrir, dá-me uma dor no coração. Sinto que, quando estou a tentar sorrir, sinto-me falsa para mim mesma. Custa-me imenso, e não há oportunidades para sorrir, pois a vida é uma estrada. Uma estrada a caminho do "destino", mas que não acaba, e acho que isso é o que custa mais, no final de contas.
O que se passou para ela ficar assim comigo? Não sei. Eu tenho o direito a uma explicação. Talvez alguém foi-lhe contar alguma coisa, provavelmente inventada, só para me lixar. Se for esse o caso, então essa pessoa que seja feliz para sempre, e que viva muitos anos. Ou então talvez ela ficou assim comigo por achar que as minhas atitudes de felicidade que eu demonstrava em frente aos outros não correspondiam aquilo que eu dizia sofrer na sua ausência. Isso, na realidade, seria uma boa razão, eu com os outros mostro sempre ser mais forte do que aquilo que sou, são poucas as pessoas que conhecem a fragilidade que se esconde debaixo de este ar de feliz. Mas não deixa de existir. E quando eu achava que tinha encontrado alguém com quem podia ser sincero sem ser criticado, afinal talvez foi essa sinceridade que matou a amizade. Pensando ela que possivelmente eu andava a abusar do seu bom coração. O certo é que eu ainda não sei o que se passa, mas acho que também já não quero saber, eu ate posso dizer que esqueci aquela rapariga de quem eu tanto gostava, e da amizade que tinha. E por um lado isso até é verdade, ou pelo menos eu faço um esforço enorme para acreditar que isso e verdade, e para não pensar tanto nela. E partindo do princípio que consigo esquecer, já mais vou conseguir apagar as marcas que ela aqui deixou.
O destino é destas coisas, primeiro mostra o paraíso, só depois explica que não existe caminho para lá chegar. Por isso digo, eu sabia que o destino era cruel, mas só recentemente tive noção disso. E essa noção atingiu o meu coração de forma certeira com o afastamento daquela menina que eu tanto prezo, nessa altura julgava que o meu mundo tal como o conhecia tinha chegado ao fim, mas afinal não, a esperança é a ultima a morrer, e prova disso está a amizade que existe e resiste ao mal que nos atravessa no caminho. Agora devem estar a pensar, mas qual foi o motivo que tanta dor provocou? Bem, na realidade, isso é das poucas coisas que eu não vou contar, fica entre mim e aquela menina a quem eu vou guardar.
Ele já me explicou como o destino é cruel, coisa que eu já sabia. Sabia mas não tinha noção do que significava. Só depois de encontrar aquele menino de quem eu gosto tanto, lá no passado recente, onde para mim tudo continua ligeiramente desfocado como se nessa altura eu andava a viver no mundo dos sonhos, onde as sensações do real se misturavam com os prazeres do sono, deixando a impressão que naquele momento nada mais me podia atingir, e que finalmente tinha encontrado aquilo pelo qual procurei a minha vida toda, e que me levou a pensar que a felicidade do momento seria eterna. Sim, foi nessa altura que eu primeiro descobri que o destino pode ser cruel. Pois que outra palavra pode ser utilizada para descrever aquilo que, tão manhosamente, me deixou encontrar aquela menina que tanto significa para mim, e em seguida me mostrar que afinal eu não a posso ter? Cruel!
Imagina que depois dessa chuva purificadora as nuvens separaram-se para dar lugar novamente as estrelas que depois de tudo estão com nova força e um brilho muito mais intenso iluminado todo o céu nocturno com a sua beleza como o brilho de diamantes no fundo de um lago perdido. Imagina. Imagina.
Imagina isto tudo, que eu agora pergunto se sabes porque motivo os anjos choram. Sabes? Os anjos choram porque esta noite descobriam que a sua anjinha mais preciosa desceu a terra e que foi encontrada por mim. E choram porque sabem que eu não vou desistir dela sem primeiro lutar com toda a força que me corre nas veias e na alma porque aquela anjinha se transformou numa pessoa muito importante para mim, sem a qual as coisas deixam de fazer sentido. E isso para eles é uma perda terrível, e por isso eles choram.
Imagina isto tudo, que eu agora pergunto se sabes porque motivo os anjos choram. Sabes? Os anjos choram porque esta noite descobriam que a sua anjinha mais preciosa desceu a terra e que foi encontrada por mim. E choram porque sabem que eu não vou desistir dela sem primeiro lutar com toda a força que me corre nas veias e na alma porque aquela anjinha se transformou numa pessoa muito importante para mim, sem a qual as coisas deixam de fazer sentido. E isso para eles é uma perda terrível, e por isso eles choram.
Imagina um pôr do sol sobre o mar num final de dia de Outono. Um pôr do sol que enche o céu sobre o oceano de tons de vermelhos como se a própria mão de Deus estives a decorar o horizonte com aguarelas maravilhosas, iluminado as nuvens com esse espectáculo de cores. Imagina. Imagina que olhando para o lado oposto do céu encontras um azul celestial que luta com os vermelhos outonais tentando arranjar espaço para a lua no céu nocturno que agora toma o lugar do velho sol. Com a lua de caçador a subir para os céus as estrelas aparentam perder alguma da sua força e brilho. Imagina. Imagina que as poucas nuvens que pouco tempo antes vagueavam no distante horizonte agora estão estacionadas sobre nos e que começam a libertar milhares de pequenas gotas de chuva como lágrimas dos anjos. Essas gotas chegam a superfície terrestre com tanta ternura que parecem milhares de beijos que o céu dá a terra em forma de homenagem por todo o sacrifício que o planeta faz para manter os seus habitantes seguros. Esses beijos estão tão carregados de sentimentos que os anjos deixaram escapar que o seu toque sobre qualquer ser vivo deixa uma marca profunda e purificadora que liberta a alma de todas as feridas acumuladas com o tempo. Imagina.
Diferentes entre elas mas iguais nas suas curtas vidas e nos seus percursos. E assim é a vida das pessoas. Nascem, vivem, e morrem. Para cair no esquecimento das gerações seguintes. Únicos são aqueles que marcam as suas diferenças e não deixam que as suas memórias sejam esquecidas. Fernando Pessoa com a sua mistura de simplicidade e complexidade acabou por marcar a sua diferença. Na realidade, quando era estudante, não gostava muito da matéria mas confesso que admiro o homem porque ele era único. E era por esse motivo que tínhamos que estudar ao pormenor a sua vida e a sua obra em vez de estudar a vida e obra do Zé Miguel, o mecânico da zona. Fernando Pessoa fico imortal com a sua singularidade e isso é de louvar.
Isso leva-me de volta a minha questão inicial. Quem sou eu? Eu sou uma pessoa que tenta deixar a sua marca mas que de certa forma ainda não foi capaz. Quem sou eu? Eu sou o eterno apaixonado, um jovem sonhador, um lutador feroz no que toca aos objectivos da vida. Sou uma pessoa complexa, cheia de confiança mas ao mesmo muito inseguro. Tenho sonhos a realizar e tento aproveitar cada dia para o fazer. Mas confesso que na realidade nem sempre o consigo. E tu? Quem és?
Anjo que protege. Anjo que sofre. Anjo que está sempre presente e que afasta as dores da vida. Um anjo que te envolve nas suas asas brancas e que te mantêm quente e seca por mais tempestades que estejam a perturbar o teu mundo. Um anjo da dor. Anjo que se preocupa. Anjo que se sacrifica para que tu estejas a salvo. Um anjo que abre o peito e te deixa entrar no seu coração onde estarás sempre em segurança. Um anjo protector. Anjo que te possa elevar a alma grandiosa e o coração bondoso para junto das outras estrelas do céu onde podem permanecer a iluminar o mundo. Um anjo que te guia para te ajudar a ser feliz nesta vida complicada. Um anjo sonhador. Anjo que esta do teu lado nos bons e maus momentos transmitindo a sua força para garantir o teu sucesso em tudo que pretendes realizar nesta vida. Um anjo da guarda. Tudo isto desejo-te. Um anjo que possa fazer por ti aquilo que gostava de fazer pessoalmente mas que o meu corpo mortal, aliado as situações que vivemos, não permitem que seja possível. Que este anjo que acabo de criar esteja sempre do teu lado fazendo por ti aquilo que só a minha alma pode sonhar.
Saudade. Uma palavra que muito significa. Uma palavra aparentemente simples mas que ao mesmo tempo é extremamente complexa. Saudade. Uma palavra só mas com muitas aplicações. Uma palavra que muitos entendem mas que poucos tem a capacidade de descrever. O que é a saudade? A saudade tem a capacidade de dar foca mas em contrapartida também a tira. A saudade pode ser como umas garras afiadas que nos aperta o coração tirando toda a vitalidade que nos corre pelo corpo, gelando a nossa alma, provocando efeitos devastadores no nosso espírito, arrastando-o para o abismo. A saudade percorre o nosso corpo cobrindo cada centímetro com uma incrível sensação de frio. Deixando uma pessoa paralisada com dores e vazia por dentro. A saudade rodeia o nosso mundo com vento e tempestades poderosas, ocultando toda a luz que a outra hora iluminava o nosso caminho. A saudade deixa-nos cegos para todo o resto. Tudo que esta a nossa volta desaparece deixando apenas uma sombra daquilo que era, como um reflexo visto através de um espelho quebrado e cheio de pó.
As majestosas montanhas, quais sentinelas imortais, que lançam o seu olhar conhecedor sobre o mundo que as rodeia. Com o seu sopro silencioso inspiram e transmitam a sua força grandiosa. Inspiração divina. O céu com os seus diamantes de brilho imortal, enchendo a escuridão com luz. Os anjos que cuidem desses diamantes enquanto brincam no infinito. A própria eternidade. Tudo isto serve para inspirar. Inspiração. Fonte eterna, majestosa, grandiosa, oculta. Procura-te é um desfio, encontra-te uma bênção, descrever a tua essência…
Impossível. Inspiração.O amor. O amor também é uma bela inspiração. A ideologia do amor-perfeito dá muito que falar. Sendo eu um eterno apaixonado tenho uma musa que me inspira. Será que chega? Claro que não. É necessário sofrer uma grande paixão para tirar partido dela no que diz respeito a escritura? Talvez. Sofrer é viver. Sofrer por amor inspira a viver esse sentimento de forma mais intensa. Isso é uma vantagem de ser um eterno apaixonado. Sou facilmente levado pelos sentimentos que devastam o meu mundo, como um dente de leão ao vento. Inspiração natural. O mar. As florestas. As montanhas. Os vales. O mar todo-poderoso e incansável que nunca desiste de fazer o seu percurso. As florestas escuras que escondem os terrores que nos atormentam como sombras das nossas almas. As florestas iluminadas que nos desorientam com a sua vastidão tal como a vastidão que é a difícil tarefa de viver. As arvores com os seus segredos ocultos que sussurram com o vento, cantando poemas de louvara para as estrelas que brilham no céu dando homenagem a sua beleza eterna.
Inspiração. Onde andas tu? Inspiração. De onde vens? Inspiração. Para onde foste?
Inspiração divina. Inspiração natural. Inspiração material. Inspiração instantânea. Recordações inspiradoras. Todos necessitam de inspiração, não apenas os escritores. É necessário uma inspiração ate para viver. A inspiração é a fonte de tudo que criamos. Então porque me foge a inspiração? O grande mestre Luís Camões tinha as suas musas inspiradoras. Isto foi o pormenor que mais me marcou da obra dele. Quem eram estas musas? Porque não me ajudam elas a ter uma inspiração semelhante? Talvez essas musas deixaram de existir a partir do momento em que ele soltou o ultimo sopro que permanecia nos seus pulmões. Será? Aparenta que cada um tem que ter uma fonte de inspiração diferente. Então porque motivo estou com a impressão que perdi a minha? A dor que habitava o meu ser tem vindo a diminuir. Isso em termos psicológicos ate é bom. Mas no que toca aquilo que faço significa menos uma fonte de inspiração. Todos os grandes escritores aparentam ter isso em comum. A dor serve de inspiração para escrever.
Inspiração divina. Inspiração natural. Inspiração material. Inspiração instantânea. Recordações inspiradoras. Todos necessitam de inspiração, não apenas os escritores. É necessário uma inspiração ate para viver. A inspiração é a fonte de tudo que criamos. Então porque me foge a inspiração? O grande mestre Luís Camões tinha as suas musas inspiradoras. Isto foi o pormenor que mais me marcou da obra dele. Quem eram estas musas? Porque não me ajudam elas a ter uma inspiração semelhante? Talvez essas musas deixaram de existir a partir do momento em que ele soltou o ultimo sopro que permanecia nos seus pulmões. Será? Aparenta que cada um tem que ter uma fonte de inspiração diferente. Então porque motivo estou com a impressão que perdi a minha? A dor que habitava o meu ser tem vindo a diminuir. Isso em termos psicológicos ate é bom. Mas no que toca aquilo que faço significa menos uma fonte de inspiração. Todos os grandes escritores aparentam ter isso em comum. A dor serve de inspiração para escrever.
Isto sou eu. Não sou ninguém quando os maus momentos batem a minha porta. Um sem abrigo desprotegido, sem coração para me guiar. Sem luz ao fundo do túnel. Sem nada. Apenas me restam as promessas feitas em épocas de abundância, com um sabor amargo na garganta e o sal nos meus lábios das lágrimas que vão caindo. Abandonado, frio e com fome de afecto, estou só! Que resta do tempo em que era feliz? Apenas vagas recordações de um tempo passado, perdido na bruma da memoria, vivendo num mundo de ilusão, acreditando sempre que melhores dias viram! E então onde andam eles? Em lado nenhum. Qual cavaleiro de espada quebrada, vou vagueando, acreditando num futuro cheio de promessas acatadas. Espada partida, espírito desfeito, alma rasgada, coração perdido. Isto sou eu. Um eterno lutador sem objectivos. Uma experiência para recordar. Uma ferida para curar. Uma cicatriz para lembrar. Uma marca interna que já mais vai desaparecer. Desta forma o coração aprende. Aprender à base do castigo. Mas aprende. Agradeceu aos amigos que não deixam o meu lado. Esses sabem quem são, não necessitam de ser nomeados. Os outros. Aos outros deixo um recado. Se alguma vez precisaram do meu apoio podem contar com ele porque perdoar é uma virtude ao alcance de todos.
E é uma virtude que quando posta em prática me faz sentir bem.
Um portão preste a ser aberto. Com que intenção? Libertar o que lá está dentro? Ou roubar o poder que ele detém? O demónio examina o portão. Não aparenta sofrer do desgaste natural que o passar dos anos provoca em tudo que existe. Ele passa a sua mão pela rocha gelada. Subitamente aparecem runas que se encontravam ocultas. Indicações e revelações.
“Por de trás deste portão está fechada a verdadeira causa do sofrimento no mundo. Fechado aqui por Deus e pelo próprio pai, Satanás. O portão só poderá ser aberto por dois. Ambos capazes de destruir aquilo que habita no seu interior. Um o fará para o bem, outro para o mal. Que o destino escolha qual irá cá chegar primeiro.” O demónio encosta a sua mão esquelética ao portão. Este aparenta sentir que ele é um dos destinados e cede sobre o seu toque. Ele entra sem hesitação, tochas na parede rompem em chamas. Ouve-se uma voz que proclama. “Quem tem a coragem para penetrar nos domínios do filho de Satanás?” O demónio responde “ Filho do mal, venho para retirar aquilo que é teu para o meu benefício. Eu sou o eterno renegado, rejeitado pelo teu Pai, enviado para o mundo como castigo, eu sou o pesadelo dos homens, a besta que tudo devora, eu sou Atlon, o antigo guardião da espada que se encontra enterrada nesta cripta a par contigo, aquela que tu roubas-te e que levo ao meu exílio. Agora irás morrer com o sabor da sua lâmina na tua garganta.”
“Por de trás deste portão está fechada a verdadeira causa do sofrimento no mundo. Fechado aqui por Deus e pelo próprio pai, Satanás. O portão só poderá ser aberto por dois. Ambos capazes de destruir aquilo que habita no seu interior. Um o fará para o bem, outro para o mal. Que o destino escolha qual irá cá chegar primeiro.” O demónio encosta a sua mão esquelética ao portão. Este aparenta sentir que ele é um dos destinados e cede sobre o seu toque. Ele entra sem hesitação, tochas na parede rompem em chamas. Ouve-se uma voz que proclama. “Quem tem a coragem para penetrar nos domínios do filho de Satanás?” O demónio responde “ Filho do mal, venho para retirar aquilo que é teu para o meu benefício. Eu sou o eterno renegado, rejeitado pelo teu Pai, enviado para o mundo como castigo, eu sou o pesadelo dos homens, a besta que tudo devora, eu sou Atlon, o antigo guardião da espada que se encontra enterrada nesta cripta a par contigo, aquela que tu roubas-te e que levo ao meu exílio. Agora irás morrer com o sabor da sua lâmina na tua garganta.”