Voltarás? Voltarás para mim? Voltarás para nós? Por favor, volta. Por favor, volta para mim. Por favor, volta para nós. Nem imaginas a quantidade de pessoas que desiludiste. Nem eu acredito. A despedida inexistente é um dos piores sentimentos que me atravessa a mente, senão o pior. Sinto um grande vazio na alma, que se nota na minha cara. Talvez não gostes de despedidas, mas ninguém gosta. Pessoalmente, odeio-as. Já lá vai um ano sem ver a tua cara. Mas ainda me lembro da tua voz. Do teu sorriso. E tu, no entanto, nem te deves lembrar da minha voz. Do meu sorriso. Gostava que voltasses. Mas depois, acho que não iria conseguir estar na mesma sala que tu. Respirar o mesmo ar que tu. Custa-me saber que arranjaste outras pessoas passado pouco tempo. Rápido, demasiado rápido. Voltarei a ver-te? Voltarei a ser inteira outra vez? Um dia... Talvez um dia. Porque nada me deixa mais feliz e nada me deixa mais triste que tu.
Hoje acordei a pensar em ti. Dormi mal. Talvez tenha sido uma simples coincidência. Talvez não. Algum dia vais voltar? Há séculos que faço essa pergunta a mim mesma, mas não consigo arranjar resposta para ela. O meu coração tem saudades tuas, mas a minha mente nunca mais te quer voltar a ver. E eu não sei qual deles tem razão. Talvez seja possÃvel dividir os dois elementos em metade. Talvez eu te queria ver. Uma parte de mim anseia para que esse dia chegue. Se alguma vez chegar. Mas, depois, há uma pequena parte de mim, a realista, que me diz que eu nunca mais te vou voltar a ver. Uma pequena percentagem de mim, um pequenÃssimo elemento, não deixa a esperança morrer. Mas a pergunta sem resposta consome-me. Consome-me viva. Como era bom que ela tivesse resposta. E se tiver, porque é que eu não a encontro? Talvez esteja cega demais, talvez me tenha enganado a mim própria, levando-me a acreditar em coisas inválidas, que nunca irão acontecer. Talvez esteja a viver numa grande ilusão, que já se encontra num labirinto, e eu não consigo encontrar a saÃda. A saÃda pode estar mesmo à vista, mas a ilusão não me deixa encontrá-la. Mesmo que ela esteja à frente dos meus olhos. Talvez. Só sei que vou acordar todos os dias a pensar se é hoje que eu te vou ver. Só sei que vou esperar, pensando para mim própria, "alguma vez me virei livre deste labirinto? Alguma vez me virei livre desta ilusão?"
Ao som da música, sento-me e escrevo. E agora o pensamento "porque é que escrevo aqui?" ocorre-me na cabeça. Ao principio, a pergunta não me parece ter resposta. Mas depois de pensar um pouco mais "fundo", cheguei a uma conclusão. Acho que todos nós, ou pelo menos uma grande parte, apesar de não o querer admitir, colocamos os nossos textos aqui porque não existe ninguém que nos ouve. Será? Parece-me ser a resposta mais "óbvia", e a que faz mais sentido. E depois deparo-me com outra coisa. A razão ou as razões pelo facto de não existir alguém com qual podemos desabafar é por termos falta de capacidade de confiar. Será? Eu admito que já estive muito perto de perder a sensibilidade total de conseguir confiar em alguém por diversas razões. A maioria foi porque essas pessoas já se foram embora, e eu tenho medo de voltar a acontecer. Quer dizer, é o mais provável. Mas são coisas que nós, como seres humanos, não podemos evitar. Não temos lá ninguém que nos avisa que essa pessoa nos vai magoar. As expectativas são muito altas. Talvez demasiado altas. E quando essas pessoas se vão embora, sentimos-nos a sufocar. E coisas do género "será que isto vai acontecer outra vez comigo?", "será que outra pessoa é capaz de me magoar assim outra vez?", "vou conseguir voltar a confiar outra vez?". Bem.. talvez não. Pelo menos, não tão facilmente. E depois deparo-me com uma outra conclusão. Por experiências de vida, descobri que a capacidade de confiar em alguém, especialmente quando é com alguém novo, torna-se cada vez mais difÃcil. E um último pensamento fica feito prisioneiro na minha mente "será que vou chegar a um determinado ponto da minha vida em que a confiança é limitada?". Não sei a resposta, mas acho que também não quero descobrir.

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